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Na última quinta-feira (12), Criciúma registrou uma sensação térmica de 52°C, segundo dados divulgados pelo climatologista Márcio Sônego, da Epagri. O número impressiona e gera preocupação, mas também levanta uma reflexão importante: qual é o papel do crescimento urbano no aumento das temperaturas dentro da cidade?
Embora eventos climáticos extremos estejam se tornando mais frequentes em diversas regiões do planeta, especialistas alertam que características locais, como excesso de concreto, falta de vegetação e impermeabilização do solo, podem agravar ainda mais a sensação de calor nas áreas urbanas.
O que são as ilhas de calor urbanas?

As chamadas ilhas de calor urbanas são um fenômeno em que determinadas áreas da cidade registram temperaturas significativamente mais altas do que regiões vizinhas. Isso acontece porque materiais como asfalto, concreto e telhados absorvem e armazenam calor durante o dia, liberando essa energia lentamente ao longo da noite.
Além disso, a redução de áreas verdes dificulta o resfriamento natural do ambiente. Enquanto uma árvore oferece sombra e ajuda a reduzir a temperatura por meio da evapotranspiração, superfícies pavimentadas tendem a refletir e acumular calor. Como resultado, bairros com pouca arborização podem apresentar temperaturas vários graus acima de áreas mais verdes.
Estudos realizados em diversas cidades brasileiras demonstram que a expansão urbana sem planejamento ambiental adequado contribui diretamente para o aumento das ilhas de calor, impactando a saúde da população, o consumo de energia elétrica e a qualidade de vida.
Como a arborização ajuda a reduzir o calor?
A arborização urbana é uma das medidas mais eficientes e economicamente viáveis para combater o calor excessivo nas cidades. Árvores proporcionam sombra para ruas, calçadas e edificações, reduzindo a incidência direta dos raios solares sobre superfícies que normalmente acumulam calor.
Além disso, as plantas realizam um processo chamado evapotranspiração, liberando vapor de água para a atmosfera e contribuindo para o resfriamento do ambiente. Pesquisas apontam que áreas arborizadas podem registrar temperaturas consideravelmente menores em comparação com locais totalmente pavimentados.
Os benefícios vão além do conforto térmico. Árvores ajudam a melhorar a qualidade do ar, reduzem a poluição sonora, favorecem a infiltração da água da chuva e criam espaços urbanos mais agradáveis para a convivência das pessoas. Por isso, cidades que investem em programas de arborização costumam apresentar melhores indicadores de qualidade ambiental e bem-estar.
Um alerta para o futuro de Criciúma
Os 52°C de sensação térmica registrados em Criciúma não devem ser encarados apenas como um dado isolado. Eles servem como um alerta sobre a necessidade de discutir políticas públicas voltadas à adaptação climática e ao desenvolvimento urbano sustentável.
Ampliar a arborização, preservar rios e áreas naturais, criar novos parques urbanos e incorporar soluções sustentáveis ao planejamento da cidade são medidas que podem ajudar a reduzir os impactos das ondas de calor e tornar Criciúma mais preparada para os desafios climáticos das próximas décadas.
Cuidar do meio ambiente não é apenas uma questão ecológica. É uma estratégia fundamental para proteger a saúde, a qualidade de vida e o futuro da população.



